It is always about ME

*****

Se eu fosse querer me descrever "decentemente", acho que seria chata como a maioria das pessoas. Sabe, naquele esquema “ah, eu sou o máximo, todo mundo me adora, sempre fui a mais inteligente da turma, a líder da galera dumal, a mais divertida, diferente, interessante, legal e divertida.” Pffff!

Se eu fosse mesmo, teria 9348570349685 testemunhos comprovando isso e não precisaria de recadinhos mal educados pelo perfil. Eu sou mêmo é um porre!

*********

Eu sou toda errada. Mas meus pais são perfeitos. Sabe aqueles que todo mundo diz pra você que queria ter? São os meus. Bonitos, inteligentes, modernos, carinhosos... se eu cobrasse aluguel, tava rica. O telefone lá de casa toca muito mais pra eles que pra mim.

Bonita, eu? No máximo em algumas fotos em que eu dei sorte. Mas meus irmãos são lindos. Por dentro e por fora. Tanto que tem até gente que imita, copia foto, apelido, roupas e jeito de falar. Não duvido que muita gente queira estar no meu lugar.

Eu não sou especial. Mas o homem da minha vida vai ser. Como tudo que me faz feliz, se a definição de superlativo tivesse uma foto, seria a dele. Carinhoso, inteligente, divertido, liiiiindo! A melhor parte da minha vida, o dono de cada batida do meu coração. Apesar de não ter nada demais, tenho muita sorte. Não é qualquer uma que tem um namorado que pode chamar de perfeito. Em todos os detalhes.

Eu sou esquisita. Uma pessoa que não faz questão de colecionar amigos. Mas os 3 ou 4 que eu tenho são o máximo. Gente que conversa sem restrições, que diz o que pensa sem medo de estragar tudo, que ri, que fala sério, que fica meses longe e quando encontra parece que foi ontem. Gente que sabe que amizade é muito mais que exigir. Até meus animais de estimação são demais pra mim. Os mais fofos, engraçados, inteligentes e fiéis.

Tudo que eu tenho é incrível. Uma pena que eu não seja tão espetacular quanto o que me cerca. Que eu não seja incrivelmente inteligente, que não goste de me aparecer usando vocábulos abstrusos. Que eu não seja tão linda quanto essas pessoas que podem usar roupinhas exibidas. (Que por ser tão estranha, eu nem gosto.) Que eu não seja tão diferente a ponto de chamar a atenção no meio de uma multidão. Que eu não choque as pessoas com o meu comportamento, com o meu visual ou com as minhas palavras de pós-aborrescente rebelde. Que eu não seja despreocupada o suficiente pra viver com cara de boba alegre. Que eu não seja irresponsável o suficiente pra ser divertida como as outras pessoas. Que eu não seja inconseqüente pra chamar a atenção...

Então enquanto eu não me tornar uma pessoa tão interessante quanto as outras, melhor nem falar sobre mim...




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14.5.09

noiva em fuga
pega uma coca, um doritos, senta confortavelmente, segura na mãodedels e vai

Ó, não vou dizer que eu seja imune a baratas. Não vou dizer que eu goste daquele *cleck* que ela faz pra se vingar de um pisão. Não vou dizer também que não me importo com aquela meleca nojenta que recheia seu corpitcho.

Mas medo mesmo eu tenho de cobra. [Nem vou me dar ao trabalho de esperar as risadinhas dos dementes que fizeram piada de mau gosto em suas cabeças. Get a doctor.] Mas assim, a escola terrorista me levou no Butantã quando eu era criança e eu praticamente não conseguia andar de pavor. Tipos que eu fiquei bem quieta pro Tiago Ferraz não me empurrar pra além da linha amarela desenhada no chão. Me dava calafrio só de pensar em gente ultrapassando a vermelha.

Outro dia eu tava chegando pro trabalho saltitando, como toda manhã. Mas eu trabalho num campus cheide mato, né? Niqui eu tô andando pela calçada e visualizo uma cobra. E gente, eu não virei do avesso porque sou uma moça controlada [haha]. Até eu perceber que a cobra JÁ estava morta, fiquei enjoada até o almoço. Se um dia eu vir uma cobra viva, já ligo encomendando o funeral. Ela VAI me matar. Se não de mordida, de meda. Eu sofro.

Mas mais que aflição de barata e medo de cobra, o que mais me causa pesadelo é casamento.

FIM.


*****

Mentira.
Mas gente, eu juro, casamento me dá pesadelo. Não metafórico, literal. A primeira vez em que pensei em procurar um psicólogo foi por causa do tema recorrente, ainda que a encenação mudasse sempre. Mas a estrutura era a mesma:

Um cenário meio outono, tudo meio amarelado, barulho de folhinhas secas. De repentemente eu olho pra baixo e visualizo minha própria pessoa num vestido branco cheio de tule. E tênis, claro. Aí vou olhando em volta e percebo as cadeirinhas, todo mundo sentado, virado pra um altar. Eu caio na besteira de ir andando pra tentar descobrir o que se passa, e quando vejo, estou indo na direção do noivo. Cuja cara eu não posso ver, obviamente. Cada passo é um barulhinho de folha seca estalando e rola até um tumtum pra batida do coração. Aí, no meio da platéia [haha] eu percebo o atual sweetheart da minha vida. Daí pro desespero total é um passo. OQUEQUEUTÔFAZENOAQUI? PORQUEQUEUTÔCASANO? TÔDECASTIGOMÃE?

E nessa hora eu lembro que estou de tênis, levanto os 8kg de tule e saio correndo e FIM.


*****

Mas gente, pensa: naonde que casar pode ser bom? Qualquer um que não tenha sido filho único e já tenha sido obrigado a dividir o quarto com o irmão, já pensou em como seria lindo ter seu próprio quarto. Muita gente que eu conheço lutou muito pelo direito de quatro paredes e uma porta intransponível. Aí vem um sujeito que você conheceu na rua e você simplesmente ignora o passado e coloca pra dentro do seu forte? Não aceito. MEU quarto é meu. Minha cama é minha. Meu cobertor é só meu e de mais ninguém. E não há amor no mundo que mude essa opinião. [E dizer “você ainda só não achou o cara certo é sooo last century, tá? Não levo em consideração.]
Porque sem um quarto próprio, onde você se fecha quando quiser ficar sozinho? Pra onde você vai quando o outro quer ver TV e você precisa dormir? Como raios você vai acender a luz pra se trocar se o outro estiver dormindo? Eu não quero nem pensar nisso.

Pra dizer a verdade, morar na mesma casa que a pessoa, ter autoridade dividida desde o porta escova de dentes do banheiro até as prateleiras da geladeira deve ser um living hell. A vida inteira eu querendo poder mandar mais que a minha mãe no lugar em que as coisas ocupam na casa e vou abdicar disso pra morar com alguém? Precisa de MUITO amor. Mas eu até consigo, desde que ninguém invente de dividir quarto. Isso não.

Aliás, dividir a cozinha deve ser horrível. Porque né, além de mim, quantas pessoas você conhece que não comem carne vermelha? Que odeiam azeitona? Que não bebem café? Café nem tenho nada contra, mas também não sei fazer. Agooora, ter que me deparar com uma bandeja de bife ao procurar meu suquinho de manga, ter que agüentar alguém preparando a carne na minha cozinha, na mesma panela onde eu refogo soja? Gente, não alcancei esse nível de amor na vida. E obviamente que não vai ser agora que eu vou aprender como chama cada carne e qual presta pra alimentação. Quer comer carne, prepare você mesmo. E seja grato por eu aceitar isso na minha cozinha.

Mas nada disso assusta mais que a idéia de mudar sobrenome. Porque, convenhamos, pela cabeça masculina esse despautério nem passa. Você passa a vida inteira assinando um nome imenso e aí, só porque você casa, o mancebo tem que atestar a propriedade sobre a sua pessoa e você tem que receber com entusiasmo o sobrenome da família dele. Que pode ser Matarazzo. Pode ser Diniz. Pode até ser Windsor. Mas é bem mais provável que seja nogueira, pereira, pinto, silva, carvalho. Ó gente, não quero ofender ninguém – até porque eu mesma possuo um dos sobrenomes mais de pobre que existem – mas né? Não vou querer. Até porque depois de voltar da linda lua de mel, sou eu que vou ter que achar um dia útil pra mudar RG, CPF, título de eleitor e o cacete, de modo que tudo fique adequado ao novo nome. Só mudo de sobrenome com duas condições: a primeira é que o cara tenha um que me agrade. A segunda é tirar meu sobrenome de pobre e colocar o de rico que deixaram pra trás. Já que vai dar trabalho, que pelo menos seja pra fazer minhas vontades.

Nem vou falar que quando escrevi lua de mel, lembrei da atração fatal que humanos têm por praia, da qual eu não compartilho (obviamente). Nego vai querer casar em época quente pra se enfiar em salvador e eu NÃO VOU. Ou é pra Bariloche em julho, ou é pra Noruega mesmo. Mas aí teria que casar no verão aqui pra pegar inverno lá e... casar no verão é inviável. Lua de mel: FAIL.

Mas aí tá: você casou, tem seu próprio quarto. Divide bem a cozinha, adestrou a outra pessoa pra não zonear o banheiro (não tô nem falando de homem, tem mulher com a horrenda mania de lavar calcinha no banho e pendurar no box), não teve que adotar o sobrenome feio, casou na fria primavera curitibana e pegou o frio outono europeu na lua de mel, tudo vai bem. Aí você engravida. Aí você passa 9 meses lutando contra hormônios, metamorfoses e ainda tendo que ser a mulher independente e bem sucedida de sempre. Aí você escolhe o nome da criança e o cara não concorda. SÓ QUE. O mundo é injusto e quem tem o poder de registrar é o FDP do pai. Que vai ao cartório e não só não coloca o nome que você escolheu, como coloca o nome do jogador favorito de futebol dele no feminino. E o seu sobrenome mais feio. E o dele também. E quando a certidão chega, você é a feliz mamãe de Rogéria Ronalda da Silva Pereira.

E SE MATA.

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Naonde tá a dificuldade desse povo de exigir um documento assinado pela mãe, com firma reconhecida, que concorde com o nome do registro? Ou então uma pequena filial de cartório na maternidade, onde a mãe possa ir? Já deixei meu pai avisado: se eu parir, quem registra é ele. Eu carrego, eu decido.

E tem gente que, quando me deseja um futuro sem homem, acha que tá jogando uma praga. Haha.




Vanessa ♥ Jolie

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8.5.09

da série: gramur, where are you?
retardadismos de primeira pessoa do plural ou jogadordefutebolismo



A gente nasce rica e com o cabelo liso. A gente nasce com um par de enormes olhos verdes. A gente nasce sociável, bonita e chique. Aí acorda um dia pobre, com um cabelo que nem alisa nem enrola (e não faz onda nem desembaraça). Acorda com olheiras alérgicas. Acorda antissocial, feia e brega.

A gente passa a vida vestindo manequim 36 e um dia a gente engorda 25kg por causa de uma doença e seus remédios. E aí a gente não sabe mais se vestir, não sabe andar (cadê meu centro de gravidade?!), não sabe viver.

Mas passa um tempo e a gente descobre que é linda, alta (hahaha) e inteligente, veja só. A gente aprende a comprar roupa pra gordas e, duas semanas depois de comprar um jeans 42, ele já está largo. [Não que 42 seja numeração de gorda, já diria Meg Cabot.] O cabelo não precisa de muito mais que um shampoo e um condicionador pra ficar lindo, ondulado e brilhante, com a cor natural é elogiada até por cabeleireiros. Vamos ao salão uma vez por semana, passamos maquiagem com pó de diamante, somos cheirosas e lindas.

Adquirimos estilo com muito custo, desde leitura diária de sites e blogs de moda, até palestras de personal stylists. A gente passa a usar 3 peças sempre, coordenar cores, evitar tênis (e olha, isso é um sacrifício), caprichar na bolsa, pentear o cabelo, complementar com acessórios e imprimir riqueza.

Pegamos toda nossa beleza natural e todo nosso conhecimento, vamos ao shopping, fazemos comprinhas delicious, pintamos as unhas de vermelho. Saímos do xópem e o ventinho que bate quando a porta automática se abre parece um ventilador de estúdio estrategicamente montado pra esvoaçar nossos lindos cabelos e pontinhas dos nossos cardigãs.

Atravessamos a rua na faixa de pedestres e visualizamos o momento congelado pra uma foto de editorial de moda, O MUNDO É SEU! VOCÊ É LINDA E PODEROSA! Chegamos até a pracinha do outro lado da rua. O ventinho gelado e os pinheiros fazem parecer a Europa.

Aí a ficha cai, você e todo seu gramur entram no ônibus biarticulado que ruma para a zona leste. Borra a maquiagem chorando por não tomar a vergonha na cara de comprar um carro ou se enfiar num taxi.

E fim.


se alguém encontrar o gramur, avisa que eu também estou procurando




Vanessa ♥ Jolie

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4.5.09

PINHOLE
Cricaê, migs. O título também é link.



Praça Santos Andrade – Prédio Histórico UFPR


Eu sempre gostei de fotografia. Ganhei minha primeira máquina fotográfica com 10 anos, num tempo em que quase nenhuma criança tinha equipamentos tecnológicos (gente velha é um horror).

A foto era daquelas quadradinhas, nem lembro a marca da câmera. Mas como tinha que deixar os amiguinhos baterem fotos pra que eu pudesse sair nelas, já dava pra ver que eu tinha jeito. Fotos bem focadas, sem tremer, no mínimo. Minha mãe comprava os filmes, mandava revelar, trocava quando a câmera ficava velha. E ainda assim, até bem pouco tempo atrás, mesmo usando a máquina super duper cheia de firula dela, eu nunca tinha pensado em como fotografia é bem mais que apertar o botão da câmera digital.

Aí, algum tempo atrás eu conheci o Luciano, sempre tão solícito e empolgado ao falar do assunto que aumenta o interesse de qualquer um pelas técnicas de fotografia. Então, quando ele falou da monografia sobre pinhole [que eu, muito intelijenti, lia pi-nhó-le], explicou o que era e convidou pra comemoração do dia mundial pelas ruas da cidade, dei um jeito de ir.

Pra minha sorte, que não tive tempo de ler o tutorial e montar minha câmera de orifício, ele tinha levado algumas prontas pra distribuir. Um solzinho simpático batia na Praça Santos Andrade quando um grupo se formou. Todo mundo a postos com suas câmeras de papel Luciano’s special edition, fomos da Santos Andrade até a Generoso Marques fotografando.


Praça Generoso Marques – Paço da Liberdade (e florzinhas)


Pra ser sincera, eu achei que ia estragar o filme todo. Meio difícil acreditar que 2 segundos de exposição ao sol, 12 na sombra e quase dois minutos dentro de algum lugar mal iluminado vão resultar numa foto. Quer dizer, que EU fazendo isso ia conseguir uma foto.

Mas mirei bonitinho, apoiei bonitinho, procurei lugares bonitinhos e quase tive um ataque quando fui buscar o filme. Quatro idas ao laboratório até achar alguém que sabia o que era pinhole e que não achava que eu tinha matado o filme. Porque a primeira moça só disse:

- saíram 16 de 36, moça. Acho que sua máquina quebrou.

De posse das minhas fotos novas, só posso dizer que peguei gosto. Primeiro que vou comprar novos filmes e vou a outros lugares usar a maquininha que o Luciano me deu. Depois, vou tentar montar uma com as minhas próprias mãos seguindo o manual que ele fez. E uma hora dessas eu tomo vergonha na cara e compro uma máquina que preste e aprendo a fotografar como gente. :)


Centro Politécnico da UFPR. AILOVE esse lugar


*****


Ficamos empolgadinhos pra ir à Generoso Marques porque o Paço da Liberdade estava finalmente aberto depois da reforma. Depois de passar um tempinho fotografando na praça, resolvi entrar pra ver se dava certo tirar foto em alguma das sacadas (não deu, estavam trancadas). Acabei fotografando as salas mesmo, que tinham uma condição de luz beeem diferente da que estava do lado de fora. Na hora de entrar, perguntei pro guardinha o que eu precisava fazer.

- precisa assinar aqui no livro e desligar o flash da sua máquina.

[eu estava com a minha pinhole na mão]

- hahaha, moço, tem flash não.
- sei, sei.
- pode olhar, a câmera é de papel.

[ele olhou e fez cara de “ah, tá. Senta lá.”]

- se é de papel, como funciona?
- tem um filme aqui dentro e eu levanto esse pedacinho quando quero tirar a foto. É só deixar alguns segundos apontada pro lugar.
- aham. Sei. Pode entrar lá.

Hahahahahaha. Taí, tio. Pode ver que deu certo. As de dentro do paço incrusível. [E ficaram ótimas! Modéstia à parte.]


Sala de entrada do Paço da Liberdade – 2 minutos de exposição


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Pra ver o set todo no flickr é só clicar.



Auto foto EMO. Não podia faltar.





Vanessa ♥ Jolie

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