It is always about ME

*****

Se eu fosse querer me descrever "decentemente", acho que seria chata como a maioria das pessoas. Sabe, naquele esquema “ah, eu sou o máximo, todo mundo me adora, sempre fui a mais inteligente da turma, a líder da galera dumal, a mais divertida, diferente, interessante, legal e divertida.” Pffff!

Se eu fosse mesmo, teria 9348570349685 testemunhos comprovando isso e não precisaria de recadinhos mal educados pelo perfil. Eu sou mêmo é um porre!

*********

Eu sou toda errada. Mas meus pais são perfeitos. Sabe aqueles que todo mundo diz pra você que queria ter? São os meus. Bonitos, inteligentes, modernos, carinhosos... se eu cobrasse aluguel, tava rica. O telefone lá de casa toca muito mais pra eles que pra mim.

Bonita, eu? No máximo em algumas fotos em que eu dei sorte. Mas meus irmãos são lindos. Por dentro e por fora. Tanto que tem até gente que imita, copia foto, apelido, roupas e jeito de falar. Não duvido que muita gente queira estar no meu lugar.

Eu não sou especial. Mas o homem da minha vida vai ser. Como tudo que me faz feliz, se a definição de superlativo tivesse uma foto, seria a dele. Carinhoso, inteligente, divertido, liiiiindo! A melhor parte da minha vida, o dono de cada batida do meu coração. Apesar de não ter nada demais, tenho muita sorte. Não é qualquer uma que tem um namorado que pode chamar de perfeito. Em todos os detalhes.

Eu sou esquisita. Uma pessoa que não faz questão de colecionar amigos. Mas os 3 ou 4 que eu tenho são o máximo. Gente que conversa sem restrições, que diz o que pensa sem medo de estragar tudo, que ri, que fala sério, que fica meses longe e quando encontra parece que foi ontem. Gente que sabe que amizade é muito mais que exigir. Até meus animais de estimação são demais pra mim. Os mais fofos, engraçados, inteligentes e fiéis.

Tudo que eu tenho é incrível. Uma pena que eu não seja tão espetacular quanto o que me cerca. Que eu não seja incrivelmente inteligente, que não goste de me aparecer usando vocábulos abstrusos. Que eu não seja tão linda quanto essas pessoas que podem usar roupinhas exibidas. (Que por ser tão estranha, eu nem gosto.) Que eu não seja tão diferente a ponto de chamar a atenção no meio de uma multidão. Que eu não choque as pessoas com o meu comportamento, com o meu visual ou com as minhas palavras de pós-aborrescente rebelde. Que eu não seja despreocupada o suficiente pra viver com cara de boba alegre. Que eu não seja irresponsável o suficiente pra ser divertida como as outras pessoas. Que eu não seja inconseqüente pra chamar a atenção...

Então enquanto eu não me tornar uma pessoa tão interessante quanto as outras, melhor nem falar sobre mim...




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Tá Ruim Tá Ótima
Te Amo, Porra
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8.11.09

parte I

Acho que perdi a mão pra esse negozdi blog. Não. É pior. Acho que perdi a mão pra esse negozdi escrever. Nem email tenho respondido mais. Sabe quando escrever dói? Mais ou menos isso. Fora que todo um analfabetismo me acometeu recentemente, acho que é praga dessa gente mal formada. De modo que stol sofremdo ao digitar essas mal traçadas linhas.

Falando em sofrimento indigno, a vida de quem não sofre é complicada. E eu não estou sendo irônica, estou sendo super sincera. Acho que nunca fui tão sincera em toda minha vã existência.

Porque assim: quem não sofre, sofre por qualquer bobagem, capisce?

Cê vê: meu maior drama no momento é a impossibilidade de comprar tachinhas em forma de estrela. Mas assim, DRAMA. Já verti lágrimas e tudo. E o mais interessante é que esse drama se instalou na minha vida após visitar o site do meu amado Jimmy Choo e constatar que não posso gastar 400 dinheiros europeus numa sapatilha cravejada de estrelinhas.

Aí sempre tem aquele imbecil pra citar a miséria, a guerra, a fome, e pof, cabô meu direito de sofrer. E é por isso que eu digo: quem não sofre só se lasca.

Porque se a família do cerumano é uma desgraça, o sofrimento é digno. Se caiu um dedo, é honesto. Se o universo conspira pra que tudo dê errado, é legítimo. Mas se não tem um Manoel Carlos roteirizando sua existência, então você não pode chorar.

Vou fazer o que se minha família é a melhor do mundo? Se eu sou linda, rica e inteligente [AH, JURA?]? Se de alguma forma eu acabo sempre conseguindo tudo que eu quero? Vou CHORAR LITROS se minha caneca com estampa xadrezinha quebrar, SIM. Vou fazer um drama mexicano se não conseguir encontrar o último par da sandália que eu não comprei e mudei de idéia ao chegar em casa, SIM. Vou ter um piti de proporções homéricas se meu mp3 player queimar sem motivo aparente, SIM.

E dá licença.

Aí vem Dionísio me perguntar se eu tô bem. E eu respondo que estou com sono, calor e dor de barriga. Niqui ele replica:

- vai ter algum dia em que você vai estar 100% bem?

CEM PORCENTO BEM EU TÔ TODO DIA, MABEIBE.

Só que se eu não reclamar, se eu não sofrer como todas as outras almas miseráveis que habitam este planeta, ninguém me dá o direito de chorar.

FIM.

(da parte I)


parte II

Já reparou aqueles lances de auto-ajuda que sempre falam “se você não consegue se amar, desfrutar da sua própria companhia, se sentir bem com você mesmo, quem vai?”?

Furada.

As pessoas mais sem auto-estima que eu conheço são as que se dão bem em relacionamentos. Gente carente nunca tá sozinha, é impressionante. Eu estou quase escrevendo uma tese que determine esse fato como quarta lei da física. Só não faço isso porque já achei umas 8 quartas leis da física, então eu já estaria nos 10 mandamentos da física, blasfêmia quem curte, vamos em frente.

Mas assim, eu super me amo, cara. Não sei se fui clara, mas eu me amo pacacete. Eu sei que sou a pessoa mais legal do mundo, e não vou ficar aqui dizendo o quanto eu sou perfeita, porque todo mundo já sabe. Eu sou a melhor companhia pra mim mesma, porque eu sempre concordo comigo. Eu sempre mando. Eu não tenho que ceder. Eu não ligo pra minha cara mal diagramada e pro meu cabelo que faz frizz (que aliás, são praticamente meus dois únicos defeitos).

Aí ninguém consegue conviver comigo. Porque eu sempre coloco mim em primeiro lugar. E porque eu sou tão legal que ofusco os outros. E todo mundo foge pras colinas e eu fico aqui, add minha própria autosuficiência no novo Orkut, sem cadeado.

Eu com mim mesma, amor verdadeiro, amor eterno.

Do not disturb.

Bgosmiu!




Vanessa ♥ Jolie

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16.10.09

porque essa sou eu, quando não tô fingindo que sou outra


Vanessa Benloca to dionísio
show details Oct 15 (1 day ago)


subject: nemli...

...seu email anterior de novo, pra começar do zero e tal.
mas ó: se vc ficar rico mesmo, me contrate como administradora financeira da sua fortuna. obrigada.

então.

maricoto NOIVOU. hhahaha coisa de caipira noivar.
(parece despeito, mas não é)

acho digno ficar noivo em UMA situação: o casamento tá marcado e as peçoua já tá comprando os trem da festa, é só uma questã de countdown e coisetal. mas tô divagando e deixemos pra lá.

mas aí ele NOIVOU e o **** *** ** **** ******* me trocou por uma piriguete que fuma, bebe e... sei lá o que mais faz.

aí eu concluí que vou ficar sozinha pra sempre. os caras chatos querem piriguetes. os descolados querem piriguetes. os pobres, os ricos, os de coração bão, os independentes, os viados. todos querem piriguete.

elas descobriram o segredo da vida, aposto.

***

aí no resto a vida tá assim, um saco.
minha mãe diz que estou sofrendo de síndrome da rotina e eu muito acho que ela tá certa.
meu amigo psicólogo me aconselhou procurar ajuda especializada, de modo que eu acho que pirei de vez :P

vc ainda vai me querer como amiga?

***

fora trabalhando muito, sua vida tá linda e cheia de ginga?
muitas legrias pelo show do AC DC estragando lindos gramado do estádio?

amigo, não me abandona.

HAHAHA CARENTE.

dionísio, cê num sabe.
outro dia eu tava voltando pra casa perto das meia noite e mano, a lua tava 12 vezes maior que o normal.
mas onde que tava a máquina fotográfica nessa hora de necessidade, né? NÃO REGISTREI.

mas cara, é sério. perguntei pra minha mãe se ela tava sabendo de rota de colisão e tal. achei que a gente ia tudo morrermos.

então vos digo: procure um ambiente plano perto da meia noite e vá ver a lua. DÁ MEDO.
mas é biutifol.

:*




Vanessa ♥ Jolie

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7.10.09

drama queen

Olha, tinha uma história ótima pra contar, viu?
Mas aí que as pessoas envolvidas leem esse blog e não gostariam de saber meu ponto de vista, então guardarei pra mim. E pra alguns poucos amigos que são capazes de suportar a verdade por email. De modo que eu vos digo: o roteirista da minha vida tem uma veiazinha cômica que vôticontá. Pastelão define.

Acho que vou focar na missão de fazer um blog anônimo de novo pra poder falar da vida. Muito chata essa prisão. Porque ó, cêis não podem imaginar como eu queria contar essa história.

Ah, vou resumir.

Imagina que no mundo existe o Zac Efron e que existe, sei lá, o Tevez. Imagina que o mundo é grande pra caramba e existe o Brasil e existe o Japão. Aí imagina que eu nasci no Brasil. Aí CLARO que o Zac nasce no Japão e o Tevez é tipo meu vizinho.

FIM.

***


Ultimamente tenho sido obrigada a me deparar com a finitude de mim mesma, enquanto pessoa humana.

Porque assim: você tem 5 anos e é obrigado a sentar na mesa das crianças e comer com colher, usar copo de plástico e ouvir que espumante é pra adulto. E quer fazer 12 logo.

Aí você tem 12, quer brincar de Barbie, quer dar um beijinho no Carlos Eduardo na hora do recreio, quer completar o álbum de figurinhas dos ursinhos carinhos e casar com o Bon Jovi. E quer fazer 15 logo.

Mas quando você tem 14, todas as tias – irmãs da sua mãe ou não – dizem que “depois dos 15 o tempo voa e quando você perceber já vai ter 30 e ter ficado pra titia e mimimi e você quer logo ter 17.

Aos 17 você é feliz e sabe disso, não quer envelhecer nem mais um minuto. Mas vem esse infeliz desse tempo te atropelando e acaba com a alegria.

Com 18 você só ouve que pode ser preso. Olha só que coisa, né? Eu aqui cometendo crimes desde o útero e agora posso ser presa. Vou chorar, hein? Tamo emancipado, podemo encher a cara, casar, ter 12 filhos e nada de casar com o Bon Jovi. Qual a graça?

Com 21 a gente tá terminando a faculdade e o pai avisa: se não continuar estudando, cabô a dependência no melhor plano de saúde que já existiu. Sorte nossa gostar da academia e fazer uma especialização atrás da outra. Viver que é bom, a essa altura. Nada.

Então chega a idade do POF. Agora você tem 24, façavor de declarar seu próprio imposto de renda (e a gente esquece e fica com o CPF irregular e coisa e tal). Pode procurar um novo plano de saúde. E não se esqueça de incluir obstetrícia, vai que você engravida. Até porque nessa idade seria perfeitamente normal, caso você fosse uma pessoa normal e tivesse relacionamentos normais.


Quando você completa um quarto de século e continua estudando, tem trabalho estável, vai pra academia (de ginástica, desta vez), tem um fundo de investimento, plano de saúde nacional pago por você mesma, assumiu a conta do seu celular, faz compras no supermercado, TEM QUE declarar imposto de renda, porque entrou na faixa tributável, é que finalmente percebe que já sabia que tava velho no aniversário de 18 anos. E férias passam a ser o oásis da vida, o tempo em que você pode GO CREIZE nessa vida, mesmo que sejam míseros 30 dias num total de 365.

Se você completa 28 anos e ainda mora com os pais, tem nem perspectiva de ir embora, acha que eles estão planejando sair da casa e deixar você lá, de modo que você acabe morando sozinha de qualquer forma, você acha que seu mundo caiu.
E nem é porque sua mãe arruma sua cama, lava suas roupas, limpa a casa e deixa a comida magicamente pronta mesa, porque, na verdade, é VOCÊ que faz tudo isso. É só tipo o chute do passarinho filhote pra fora do ninho. Com a diferença que você não é mais nenhum filhote.

Aí, você nessa sua vidinha adolescente de balada (no meio da semana, incrusível), amiguinhos, carona, mãe buscando, descompromisso sentimental, combos do Mcdonalds ainda servindo como refeição, jeans+camiseta+tênis funcionando como roupa de trabalho, tem um treco quando percebe que falta uma semana pro seu aniversário de vin-te-no-ve anos. OU SEJA, mais um ano e você faz a idade que não deve ser pronunciada em voz alta.

Aí o aniversário passa, você chora 293875 vezes pela faixa etária alcançada, vai ao médico cuidar da alergia – que é doença DE CRIANÇA, devo ressaltar – e ouve que não pode mais achar que febre é uma coisa normal, porque febre em velhos, a.k.a. VOCÊ, é uma coisa complicada.

***

Já plantei várias árvores, já escrevi um livro e já criei uma gata por 16 anos, so far. Minha filha, caso alguém não tenha compreendido.

Mas ó. E o sucesso, hein? Fama, luxo, riqueza e poder, que eu deveria ter? E meu primeiro milhão? E meu marido rico, bonito, educado, inteligente, com 47 rolagens de barra na página do lattes e apreciador de culinária?

E minha incapacidade de comprar bebida alcoólica sem a apresentação de identidade?

Quero falar nada não, mas sou jovem demais pra morrer. E nem comecei a dominar o mundo ainda.

Mas a falta de memória já tá aí. Lembro nem porque eu tava falando disso. A velhice me deprimiu.
Só sei que alguns dias atrás passei por um momento “como foi que minha vida virou esse trem descarrilado?” e tamos aí, iniciando a crise dos 30.

Com corpinho de 60 e carinha de 15, é claro.




Vanessa ♥ Jolie

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10.9.09

inferno astral, ferias, olés em Darwin and the time of my life

prólogo

Não acredito em horóscopo determinando o destino das pessoas, até porque não acredito em destino. Mas às vezes eu me divirto um pouco culpando a astrologia pela minha personalidade ruim. Como diz minha amiga Patrícia, nunca provoque um virginiano. Aliás, eu realmente duvido que algum virginiano realmente acredite em horóscopo. Se eu tivesse paciência, procuraria no histórico os cálculos matemáticos que eu já fiz pra provar que isso non ecsiste. Mas que o tarô de vez em quando acerta, acerta. [NOT]

ainda preciso mandar lindos leitor pegar uma coca, um Doritos e se ajeitar na cadeira? Não, né?

O plano era fazer o post habitual do inferno astral no dia em que ele teoricamente começa. Teoricamente porque eu não sei nada sobre astrologia e os sites não se entendem. Não sei se é o mês antes do meu aniversário, o período do signo anterior ao meu ou até os 56 dias antes do dia do brigadeiro. Como dizem por aí, uma ciência exata.

Então prefiro sempre achar que o inferno astral é o mais fácil: mês antes do aniversário. De modo que este post teria que ter sido feito dia 18 de agosto, mas agora que eu perdi o bonde, ele perdeu o propósito. Tudo bem que neste ano já saí em vantagem, uma vez que descobri que o inferno astral é compensado pelo paraíso astral. O que dificulta é só a exatidão dos fatos, como sempre. Não descobri se é o mês seguinte ao aniversário, o signo seguinte ao meu ou até uma coisa simétrica, tendo o dia 17 de março como marco.

Vou acreditar no mais fácil, que tá mais perto. Quando chegar março eu mudo de novo. Mas como o inferno astral ainda tá aí, coloquemo-lo como coadjuvante da história.

***

Dia 18 não foi possível pensar em post porque faltavam 2 dias pro início dos dias mais lindos do ano, aka minhas férias. [Aliás, além das férias dias lindos são aniversário, festa junina e halloween.] E como eu ia pra 308 mil lugares, tinha coisa demais pra pensar, né? Tanto que nem percebi que estava entrando em férias em pleno inferno astral. Oh, vida.

Se analisarmos que nos primeiros minutos das minhas férias tinha um cerumano sentado na minha poltrona do avião, eu diria que o inferno astral tava marcando presença assim de cara. Mas se a gente pensar que TODA SANTA VEZ que eu viajo de avião tem alguém achando que é dono da minha poltrona, aí tá tudo dentro da normalidade mesmo. Quais as chances de uma pessoa ser perturbada sempre que entra num avião? Tamo aí na espera da próxima viagem pra ver se a saga continua.

Férias em curso, tudo indo bem, muamba comprada no Paraguai e lindamente declarada na Receita Federal – porque eu nunca mais quero ter problema com a RF na VIDA! -, alfajores não adquiridos na Argentina, hora de passear em Foz do Iguaçu. Nas cataratas. Onde tem mato. Criptonita.

[pausa]

Quando eu tinha 9 anos, fui brincar de queimada com os amigues da rua e machuquei o pé. No dia seguinte, ele estava roxo e vinte vezes maior que o normal, de modo que suspeitaram que estivesse quebrado. Fiz todos os raios-x do mundo – naquele tempo não tinha muita tecnologia, né? – e não acharam nada. Pensaram até num rachadinho mínimo do osso, enfaixaram, deram anti-inflamatório, ficaram observando. Uma semana depois o pé foi desinchando e acharam a “fratura”: uma picadinha de inseto. Desde este dia ando com 8 tipos de antialérgico na bolsa. Vai que de repente.

[/pausa]

Passei por lagartas, calangos e borboletas. Tudo ia bem e nós já estávamos à espera do ônibus que leva pra fora do parque quando um bichinho de um milímetro de diâmetro pousa na minha mão, faz um ataque ninja e ela quadruplica de tamanho em 8 segundos. Felizmente já era o último dia de viagem e só ficou complexo fotografar um passeiozinho, já que a mão prejudicada era a direita. Poderia culpar o inferno astral, claro. Mas da última vez que isso aconteceu, levei VINTE picadas e fiquei parecendo um morango. E nem estava no meio do mato. Dessa forma, acho que ainda tava no lucro.

***

Da faixa de gaza tríplice fronteira e do mundo onde tudo pode ser pago em 4 moedas e falado em 30 línguas diferentes, fui pra sumpaulo, habitat natural de mim mesma.
Tudo ia bem, vi vinte mil amigos, marquei e participei de encontrinhos de última hora – que deram certo mesmo numa cidade daquele tamanho – e eu tinha certeza de que a vida era linda até sofrer um pequeno desarranjo no sistema digestivo. (Sistema digestivo nem existe mais, né? Mas véio se apega às expressões do seu tempo, não tem jeito.)

Esse pequeno desarranjo me impediu de realizar duas atividades programadas pro sábado e uma pro domingo (porque na sexta eu fingi que nada estava acontecendo e quase morri no trem, foi lindo). E eu muito poderia culpar mais uma vez o inferno astral, se eu não tivesse passado sete lindos dias comendo como se não houvesse amanhã. Troquei um fim de semana pelo equivalente ao meu peso em comida [ah vá] e ainda acho que tô no lucro.

***

A viagem de volta pra Curitiba só precisou de duas paradas [hahahaha SÓ] de modo a manter minha cútis rosada. E apesar de São Paulo ser a cidade que eu mais amo no mundo, Curitiba está em segundo lugar. Lindos passeios, almoço no mercado municipal e seus hot rolls, o quiche mais gostoso do mundo e os amigos marlegais do mundo inteiro. Porque né, finalmente achei onde se escondiam as pessoas legais de Curitiba. (E só precisei de uns 10 anos pra isso.)

Os últimos dois dias de férias aconteceram no feriado. E apesar de essa parte ter começado no hospital e terminado em repouso forçado, escapei de uma injeção de benzetacil [outro olé em Darwin que fica pra depois]. Mas o final de semana que antecedeu esses dias foi tão legal, mas TÃO legal, que veja bem, meu balanço ainda contabiliza lucro. Não dá vontade nem de descrever (porque tem muito urubu pousando neste blog), mas de sexta à noite até o fim do domingo eu tive certeza de que estou vivendo os melhores dias da minha vida.

Donde concluo que: inferno astral meu ovo :)

FIM.

epílogo

Os blogs que eu mais tenho tido vontade de ler ultimamente são aqueles em que a pessoa conta a própria vida de um jeito meio despretensioso, mas que funciona muito bem (pra mim). E eu tenho inveja e queria muito saber fazer igual. Depois de reler essa abobrada toda que eu escrevi, vi que não tenho o dom. Mas o blog é meu, eu faço o que eu quiser hahaha.

Não digo quais são eles porque:

1- não quero que comparem e concluam que realmente não tenho jeito pra coisa;

2- não quero que meus leitores-stalker (cada dia ganho mais um, haja gente desocupada!) comecem a fazer a íntima, virem melhores amigues dos autores e arruínem o blog pra mim. Já aconteceu e a uruca pegou um blog de sucesso, vejam só vocês.

[Agora acabou mesmo. Se você leu até aqui, ganhou uma estrelinha.]




Vanessa ♥ Jolie

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14.8.09

óculos, frescuras, ortografia e superpoderes
não necessariamente nessa ordem

Óculos é uma palavra que eu tenho birra de usar. Porque mesmo quando é um, é no plural. Acho que seria muito válido estabelecer que UM PAR de óculos é um objeto só e a gente poder ficar livre pra dizer “meu óculos”. Meus óculos parece coisa de véio. Meu óculo é uma coisa que eu NUNCA ouvi na vida. Meu par de óculos gasta muitos caracteres. Que dificuldade! Vamo tudo falar meu óculos e ser feliz. Ninguém sabe escrever direito mesmo, então não tem pobrema.

***

Eu resisti por muito tempo à idéia de usar óculos escuros. Uma aflição sem tamanho aquele troço na cara, apoiado no nariz, machucando a orelha, apertando a cabeça! Mas meus pobres zóios geneticamente sensíveis à luz não conseguiam mais ficar abertos em ambientes externos. Sucumbi.

Mas eu sou uma pessoa deveras chata [ah, jura?] e não achava um modelo que me agradasse. E isso é realmente muito difícil segundo revistas femininas, já que pessoas com formato de ovo tendem a poder usar praticamente todo tipo de óculos. Depois de milhões de tentativas frustradas, um par pertencente à minha linda mamãe ficou perfeito. E eu vivi feliz pra sempre com um par de óculos [inferno!] perfeito.

FIM.

Mentira.

Um dia, um cerumano passando por uma grave crise de depressão caiu no choro por não achar um mísero par de óculos que ficasse bom, colocou o meu no rosto e... PLIM! Apaixonou-se-se. Você consegue tomar docinho de criança? Eu não. Ficou ela lá o com o zócro que não deve ter usado mais que 5 vezes e eu de volta à missão.

Passei por um par marrom (não sei o que me deu) que tinha uma rosinha de metal “esculpida” na perna da armação (eu MUITO não sei o que me deu). Passei por um par que custou o zóio da cara – o que é uma coisa muito incoerente, já que se eu não tiver olhos não preciso de óculos ha ha -, tive um par comprado no camelô e testado em maquininha de proteção pro olho (e funcionava perfeitamente), tive um par da chilli beans que foi abandonado depois de precisar ir pro conserto TODO SANTO MÊS por afrouxar os parafusos. E na última vez em que eu fui lá, uma mocinha de gosto fashion duvidoso ficou me chamando de gata e tentando conseguir meu telefone e vender uma caixinha cor de rosa. Alguns dias depois, um calega ainda derrubou o pobrezinho no chão e quebrou a lente (e não se ofereceu pra pagar o estrago, claro). DESISTI.

Foi quando resolvi assumir meu mau gosto vintage e adquiri um par que escondia meio rosto, com uma lente tão escura que dava pra encarar ozotro sem medo de ser feliz. Aí começou o drama. Meus novos óculos [argh] me faziam sentir quase uma Sthefany de tão absoluta. Vivia com ele no rosto. Até que um dia ouvi um estalo, senti um arranhado e, quando fui conferir, ele tinha estourado no meu rosto. Assim, sem mais nem menos. Aquele pedaço da armação que fica em volta da lente simplesmente arrebentou entre os olhos e os óculos desmontaram na minha mão.

Ok, vamo seguir a vida, tão simples encontrar um modelo novo, né? E eu, enquanto pessoa com toc, tenho pobremas SÉRIOS quando gosto de uma coisa. De modo que percorri o mundo atrás de um par que fosse o mais parecido possível com o anterior. Achei. Comprei. Usei. E um dia, sem novo aviso, POF, estourou no meu rosto mais uma vez. Quebrou a parte da armação que sustenta a lente. Que afundou na minha bochecha e fez um lindo corte. Assim, no meio da rua. Assim, sem uso das mãos. Um estouro DO NADA.

Aí eu passei na frente de uma loja e comprei um óculos [hahaha me processa!] de 12 real só porque tinha parafusos em forma de estrelinha.

FIM.

Mentira.

Eu não tava contente, sabe? Estrelinhas muito me alegram, mas aquele modelo não tava ornando. Foi quando achei uma loja muito simpatiquinha que vendia óculos grandões lindões e baratinhos. Oito horas e meia lá dentro e saí com um par, tipo assim, perfeito. Coloquei no rosto, corri pro estacionamento, coloquei uma Etta James pra tocar no carro, abri as janelas e me senti linda e poderosa pelas ruas da cidade. Acho que esse par durou uns 4 meses, até que, indo ao mesmo shopping onde ele foi adquirido ele...

ESTOUROU NO MEU ROSTO.

Gente, sério. Eu tava lá, reclamando da vida, falando mal das pessoas e ouvi um estralo no meu ouvido direito. Achei que era uma pedrinha atingindo o vidro do carro. Mas NÃO. Porque logo em seguida veio o arranhão característico no rosto. E a perna do óculos partida em TRÊS pedaços. Taquei pela janela, né? Fúria intensa.

Entrei no shopping e parti veloz pra loja. Modelo esgotado. De novo eu percorrendo o mundo atrás de um par de óculos. Shoppings, óticas, tudo. Não achei. Resolvi ir até o camelô, né? Já que esses troços explodem na cara, vamo comprá um baratinho. Nada me agradava, niqui minha mãe - mãe marlegal do mundo, devo dizer – grita que achou. O mesmíssimo modelo, por milhares de dinheiros a menos que o irmão explodido. Comprei, né? Tamo aí contando quanto tempo vai durar.



TÔ MUNYTAH?


FIM.

Verdade.




Vanessa ♥ Jolie

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29.7.09

foi meu eu lírico!


Se tem uma coisa que eu DE-TES-TO é livro que simula uma conversa comigo. Primeiro que pra ser conversa eu teria que ter o direito de responder, o que eu, obviamente, não tenho. Depois, a pessoa pra quem o autor fala também não sou eu. Não é nem uma representação de mim, uma vez que autores sempre utilizam a média como base e... bom, eu não faço parte da média.

Uma vez eu cheguei a caçar o email do autor de um livro, de modo que eu pudesse dizer pra ele tudo que eu queria ter dito e não podia. Mas aí pensei que ele não era esperto o suficiente pra captar meu ponto (tomando por base a maravilha de livro que ele escreveu) e deixei pra lá.

Um dos poucos livros que eu não só não terminei de ler como nem cheguei na vigésima página foi o Diário do Farol. Quem gostou desse livro favor tomar no seu respectivo fiofó, para que tenha tempo de refletir sobre a vida em vez de vir defender a história ou o escritor. Não sei sobre o que se trata, não acho genial gente que descreve sobre dissimulação, não acho grandes coisa a história de um cerumano que se dá bem enganando todo mundo.

Mas o que mais me irrita é a tentativa eu lírico (hahaha, apresenta o Orkut pra ele) do escritor tentando descontar a frustração – pausa pra procurar João Ubaldo no Google e tentar imaginar o que causa tanta dor na existência dessa pessoa. Apanhar do pai? Nunca ter férias? Ser perseguido por causa de sotaque? – de toda uma infância no pobre leitor.

[Porque ser leitor brasileiro é realmente chato. A gente tem que exaltar o maluco Machado de Assis e seu Alienista, o dissimulado João Ubaldo e seu Diário do Farol, o tarado José de Alencar e sua Pata da Gazela. Enquanto isso, crianças européias têm a verdadeira Cinderela, Hans Christian Andersen e Jostein Gaarder, por exemplo.]

***

Estou no meio de um livro que tem um pecado maior do que simular uma conversa comigo: ele tenta ser engraçado fazendo isso! É claro que não consegue. E, assim como o eu lírico do João Ubaldo, ele tenta ser engraçado me chamando de burra, lenta e sem talento. Praticamente um quadro do zorra total de tão divertido.

Aliás, acho que nem disse que foi por isso que larguei o Diário do Farol. Páginas e mais páginas de ofensas gratuitas. Como o livro foi morar em cima do telhado há muito tempo, não saberei reproduzir. Mas se NINGUÉM fala assim comigo, muito menos um livro. Muito menos um eu lírico pro qual eu nem posso responder ou sei lá, dar um chute na canela. Muito menos um eu lírico muito do bestinha que se acha mais inteligente do que eu. Má não vai falar assim comigo MESMO!

Mas voltemos ao livro do momento, que não direi qual é nem sob tortura.

Estou fazendo um esforço IMENSO pra chegar ao fim desse livro. Em cada capítulo tem pelo menos uma tentativa de me depreciar (notem que eu levo pro lado pessoal). Não passam 5 páginas sem que o autor – que nem tenta usar um eu lírico pra amenizar o fato de que está discutindo com um leitor mediano – deixe o leitor quieto, sem chamá-lo de burro.

Querido autor, adoraria poder dizer que você está errado, que o leitor do seu livro não é burro coisa nenhuma. Afinal, ele está lendo, né? Considerando a maioria da população, já é um grande feito. Eu diria até que o burro é você, que se presta a escrever pra tão medíocre audiência. Incrusível, sendo você uma pessoa não famosa, não chegando nem perto da fama de um, sei lá, João Ubaldo, o fato de seu livro ter pelo menos uma edição e um par de olhos voltados pra ele, ainda que pregados em um cérebro anódino, já faz de você um sucesso.

Mas eu concluo que você está certo por um simples fato: a pessoa que é chamada de idiota e pretensiosa, por páginas e páginas, por um escritorzinho de província e persevera na missão. Só pode ser é muito burra mesmo.

Beijo pra você, calega! Te vejo no twitter!




Vanessa ♥ Jolie

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22.7.09

Eu sou tão legal que deveria postar mais.
Mas meu espaço restante no blog é tão pequeno, que eu deveria postar menos.

Dilemas, dilemas.




Vanessa ♥ Jolie

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9.7.09

minha mente brilhante

Se tem uma coisa que me assusta nesse mundo, é teste de QI. O único que eu fiz foi um da revista Nova, uma edição lá do meio dos anos 70, quando eu tinha uns 13 anos.

[Não que eu tivesse 13 anos no meio dos anos 70, que aí eu seria idosa neste momento. Peguei uma revista Nova velha, veja só. Não que eu não seja idosa neste momento, mas ainda tenho menos de 30. Estou divagando?]

O resultado disse que eu era um filhote de gênio e eu acreditei, porque né? Fonte segura.

Mentira, não acreditei. [ah, jura?] Mas só porque eu tenho dificuldades em aceitar que eu seja realmente muito inteligente. Acompanhe o raciocínio (faz uma forcinha, você consegue):

NENHUM resultado de teste de QI é favorável, na minha situação. Se um teste sério comprovasse minha teoria-de-revista-nova-velha, pensa no sofrimento. Milhões de neurônios, sinapses, atividade intensa, possibilidades, capacidades e FONNNN... Essa vidinha meia boca, de crasse média, prestação do carro, da casa e do armário nas Casas Bahia. Me diz o que adianta você descobrir que tem o maior QI da história dos QIs (porque se eu tiver QI alto, ele certamente será O MAIS alto) e ser só um cerumano normalzinho? Prefiro não saber.

Aí tá, eu faço o teste e descubro que sofro de embotamento ligeiro – porque se eu estou escrevendo este texto, pressuponho que se for embotada, é só ligeiramente. Aí é a glória, né? QI mínimo e altas realizações na vida, primeira aluna na escola forever, aprovação em 100% dos concursos públicos prestados, raciocínio rápido e coisa e tal. Mas sempre com aquele pensamento “pra quem tem um QI embotado, foi até longe, né?”. Também nem vou querer.

Ou então, o pior dos resultados na tabela de resultados: normal. Tem coisa mais POF no mundo que normal? Inteligente normal, cara normal, engraçado normal, vida normal. “Taí o motivo de a sua vida ser tão normal. Você é normal”.

Eu tenho medo de normal. Aí nem vou fazer teste de QI.
No dia em que eu achar o máximo ser capaz de fazer uma florzinha de fuxico, vou dizer que tenho embotamento e é realmente o máximo. No dia em que alguém ficar chocado com a rapidez, clareza e eficiência do meu raciocínio, eu aviso que é simples, porque eu sou superdotada.

E normal é a vó.

P.S. Isto era pra ser UM parágrafo de introdução pra OUTRO assunto sobre o qual eu queria falar. Vejamos se serei capaz de chegar ao ponto em breve.

[/divagação] ou fim da parte I




Vanessa ♥ Jolie

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19.6.09

eu não gosto de cor de rosa

A forma de a minha mãe me convencer a ir pra escola aos 3 anos foi me dando uma lancheira vermelha da Mulher Maravilha. Que eu obviamente só poderia carregar se fosse de fato pra escola, socializar com outras crianças. Me orgulho da inteligência da minha mãe, viu?

Tudo ia bem, eu coloria com meu giz de cera vermelho enquanto Bárbara – aquela menina loira de olho azul que infernizou a vida de todo cerumano em idade escolar em algum ponto – e suas baba-ovo usavam o cor de rosa, naquelas mesinhas de 4 lugares do maternal. Bárbara não ficou contente em perceber que alguém não estava sob seu domínio.

- por que você pinta com vermelho?
- por que é mais bonito.
- não é.
- ok.
- então me deixa ver!

Ca-la-ro que Bárbara, vaca mirim, não poderia pegar um da mesa, tinha que ser o MEU. Tomou da minha mão e começou a gritaria. Mas como é mais fácil acreditar na criança loira de olho azul que na criança morena de olho verde que argumenta, Bárbara ganhou. Pergunta quando eu voltei pra escola de novo depois daquele dia. Não havia lancheira vermelha no mundo capaz de me levar praquele lugar de novo.

FIM.

***

Hahaha, mentira. [ah, jura?]
Sorte minha ser um gênio. Que aí não precisei da escola pra alfabetização e só voltei aos 6 anos, pra fazer a primeira série.

Gente, se eu falar que já me perdi, dá pra acreditar? Nem lembro mais porque tô falando disso. Acho que pra exemplificar a minha falta de habilidade pra vida social. Com o sexo oposto principalmente [aposto que ninguém tinha notado].

***

Aos 7 anos, estava eu na segunda série mais atribulada que um cerumano já teve. Terceiro bimestre, terceira escola das quatro em que eu estudaria naquele ano. Tinha acabado de voltar de uma curta temporada no interior e minha mãe ficou meio perdida na hora de escolher uma escola pra mim. Pra não perder o bimestre, me matriculou numa escola pública perto de casa.
Olha, rica eu nunca fui. Mas era filha mais velha, neta mais velha, tinha uma irmã bebê e mais nenhuma criança na família. Então carcula, néam? Todo mundo me enchendo de mimo, pais, avós, tios. Aí eu vou parar numa escola onde tem gente bem pobrezinha, não podia dar certo.

[Um dia eu explico como eu não sou uma pessoa preconceituosa e nem poderia, mas deixa isso pra lá agora e vai chamar a mãe de esnobe. Beijo!]

Paulo Eduardo se encantou pelo meu cabelo despenteado (eu tenho fotos pra provar o HORROR que era meu cabelo) e resolveu me presentear com um frasquinho de perfume, que eu não aceitei. E olha, foi difícil não aceitar, uma vez que o frasco era igualzinho a um saleiro da minha mãe que eu adorava. Recusei o presente, o pedido de namoro e um livro que ele ainda tentou me dar depois. Resultado: fui parar na diretoria, com direito à presença das mães dos dois, porque fui PRECONCEITUOSA.

Como sempre, eu chorei. Porque a solução pra tudo é chorar, minha gente.

Depois de tomar 128 sermões sobre como era feio recusar um presente só porque ele era simples, me deixaram falar.
E eu não aceitei o presente – que eu realmente adoraria ganhar, cês não tão entendendo o tanto que eu amava aquele saleiro – porque não achava justo aceitar o presente e não aceitar o namoro. Mas quando expliquei isso pro Paulo Eduardo, ele não compreendeu e achou que eu estava sendo esnobe. Depois que eu expliquei, Paulo Eduardo continuou não entendendo nada (não teríamos um futuro junto, apesar do bom gosto pra presentes do garoto), minha mãe se deu por satisfeita, mãe de Paulo Eduardo chorou e a diretora ficou com cara de caneca.

Na semana seguinte minha mãe me mudou pra uma escola de criança esnobe e fui feliz pra sempre.

***

Hahaha, mentira. [tá perdendo a graça, hein?]

Eu não fui rica (hahaha) pra sempre e tive um segundo episódio em escola pública. Mas o que posso fazer se pareço européia? Não é minha culpa, é a genética, gente! [/ironia]

Bom, não sei se é assim em toda escola pública, mas naquela tinha lanche fornecido pelo governo. Em alguns dias a fila era pequena, já que o cardápio era Tang super diluído e bolacha Maria de ontem. Em outros a fila ficava gigante, principalmente se tivesse leite com granulado e pão de cachorro quente com geléia. E era nesses dias em que eu entrava na fila. Geléia de morango é bom até quando é ruim, né?

Num desses dias, vendo minha figura de filé de borboleta e minha cara de européia frágil, três moleques-armário temidos por toda uma escola resolveram pegar meu lugar na fila.

Gente, não mexa com a minha comida. Acho que já falei sobre isso por aqui. É sério. Não mexa com a minha comida!

Chegaram os três cavalheiros do meu lado, quando eu estava a menos de 15 pessoas de pegar meu pão com geléia.

- é aqui mesmo que eu vou entrar na fila!
- não é não.
- é sim e eu quero ver quem vai impedir!

Olha, eu tenho dificuldades pra abrir garrafa de água mineral e pago mico pedindo pro atendente do restaurante. Eu só abro potes de palmito porque meu cérebro é muito maior que meus músculos. Eu apanhei dos meus irmãos a vida inteira, mesmo quando era muito maior que eles. Mas mexeram com meu pãozinho com geléia. Sei lá de onde veio a força e a tática, mas empurrei o menino-armário de forma que ele caiu lindamente no chão e nem seus dois capangas foram capazes de segurar.

Minha amiga só dizia no meu ouvido “meeeeeeeu, você vai morrer! E eu que vou ter que dar a notícia pra sua mãe! Por que você não deixou o maloqueiro entrar na sua frente e pronto?” totalmente apavorada.

Nisso o menino levanta e eu vejo toda minha vida passar diante dos meuzólhos. Ele respira fundo, olha no meu olho e diz:

- difícil achar alguém pra me enfrentar e pra me derrubar. Tem meu respeito. Não vou furar sua vez na fila.
Meu olho quase caiu da minha cara, minhas perninhas de grilo perderam a força e minha fome sumiu. Tive certeza que se a pobreza familiar durasse pra sempre, eu não viveria até os 20 anos. Se vivesse, viraria a dona de um morro, porque ó, difícil ficar quieta quando alguém fala grosso comigo, hein?

O inconveniente da situação foi que o garoto se apaixonou pela minha pessoa. E até o fim do ano, quando eu finalmente saí daquele futuro centro de detenção, recebi um milhão de cartas endereçadas à XIRRA – meu alter ego fortão – exaltando meus lindos olho marelo.

Vou fazer o que se não fui esculpida para as relações sociais, mas todo mundo se encanta pela minha pessoa?




Vanessa ♥ Jolie

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5.6.09

temdemsia

Eu sou fútil, sabe? Eu não assisto filmes com conteúdo, só leio livro ruim, assisto seriados sem grandes profundidades ideológicas, só gosto de falar sobre bobagem. Olhando, ninguém sabe a mente brilhante que mora dentro da minha cabeça. Interagindo também não. Melhor assim, que ninguém vai prever o golpe que eu vou dar pra dominar o mundo. Mas já estou divagando. [ah, jura?]

O caso é que eu gosto de moda. Eu tenho uns oito mil favoritos no navegador relacionados à moda. De blog a site soi-disant, nacional e internacional, que eu gosto e que não gosto, que eu tenho poder aquisitivo para e que não tenho. Eu gosto de moda e ponto.

Quem convive comigo já me viu fazendo minutos de silêncio por visuais catastróficos (porque né? Noção não vende nem na Renner nem na Daslu, então complica). E eu sei que dinheiro não é exatamente determinante na hora de se vestir direitinho. Mas eu tenho uma visão bem particular sobre moda. (Não que eu tenha um visual que imprima fashionismo, mas who cares?)

Se tem duas coisas que eu não sou nesta vida são trendsetter e fashion whore slave. Que eu gasto meia mesada em roupa, não é segredo pra ninguém. Mas que eu JAMAIS, enquanto eu viver, usarei uma calça cenoura, é outra coisa que todo mundo também sabe.

Capri e skinny podem ficar na moda por toda uma eternidade e eu nunca vou usar. Aquelas botas de bico não tão fino e meio quadradinho na ponta? NEM PENSAR. Saruel, regata, sandália, crocs, casaqueto ¾, manga morcego, oncinha em tom de marrom, ankle boot, amarelo, vermelho com roxo, bota de cowboy, boina, bermuda com scarpin, wayfarer de armação colorida são exemplos de coisas que podem ter vida eterna na moda e eu não vou vestir mánemapau.

Claro que nesta lista algumas coisas irritam mais que outras, mas meu pesadelo fashion do momento - um momento longo, devemos dizer – são as maledetas botas por fora da calça. Adoraria saber quem foi o hipnotizador que convenceu as pessoas de que isso era bom!

Porque gente naturalmente elegante e que fica bem até de jeans e all star, como gigele binxen, vá lá. Ou quem fica bem indo trabalhar até de pijama, como minha irmã, pode ser. Fica horrível do mesmo jeito, mas não parece jeca. E eu não gosto mesmo assim. O que o que tem de gente cruzando o meu caminho emulando Chico Bento na cidade grande, ó, vôticontá.

As caleguinhas dormem na aula de matemática em que a tia ensina proporção, achando que nunca mais vão usar na vida. Aí um dia juntam uma calça que não é tão justa com uma bota que não tem o cano alto o suficiente, com uma blusa que não para no ossinho em que deveria parar e POF, dá-se a catástrofe.

***

Uma das temdemsias que eu gosto é xadrez. Taí uma estampa que me faz feliz. Pied-de-pule, argilé, burberry, tartan, qualquer um. Acho lindo e chique. Mas gente, é um pinguinho de falta de noção estética e toda a beleza do xadrez escorre pelo ralo. Gente muito moderna querendo combinar estampa sem saber como, usando xadrez de 8 cores com uma nona cor aleatória, errando no modelo da vestimenta, comprando aquele casaco evasê que tá na vitrine da Hering em tons de rosa. Dá até desgosto.

A única vantagem desse povo se jogando no xadrez errado e usando bota por fora da calça é não precisar avisar no convite da festa junina que o traje tem que ser a caráter.

Heh.

Beijoscompareçamnaminhafesta!




Vanessa ♥ Jolie

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